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Violência que não para de crescer

Publicado no Jornal Folha da Manhã de 23/03/2014 0nline.

A violência e a criminalidade que vem sendo registrada nos últimos meses em Campos e região causam medo e insegurança na população. Até o final desta edição, 55 pessoas foram mortas em Campos somente neste ano, contra 38 em 2013 e 49 em 2012, entre os dias 1º de janeiro e 22 de março, de acordo com pesquisa levantada pela equipe de reportagem da Folha da Manhã. Em resposta aos números alarmantes e à insegurança crescente, o 8º Batalhão de Polícia Militar (BPM) afirma que operações estão sendo feitas para combater a violência. Delegados de Campos e São João da Barra (SJB) dizem que investigações estão avançadas para que os autores dos crimes sejam presos o mais rápido possível. Já a Ordem dos Advogados de Campos (OAB) e a Câmara de Vereadores de Campos preparam debates para encontrar uma solução para amenizar a criminalidade.

Na última semana, três crimes chocaram a população. A do professor, ator e transformista David da Costa Moreira, 38 anos, mais conhecido por Laysa Lisa, que foi encontrado morto na madrugada de sábado (15), em uma calçada na rua Cardoso de Melo, no Parque Rosário, em Campos. Segundo informações da Polícia Civil, o animador cultural foi atingido por um tiro na nuca, por volta de 4h. Algumas horas após o crime, dois adolescentes suspeitos foram apreendidos no mesmo bairro do assassinato. Já na ultima quarta-feira (19), um jovem de 19 anos teria assassinado o avô, de 70 anos, a golpes de faca, no Parque São Benedito, em Campos.

De acordo com a Polícia Militar, por volta das 7h, o órgão recebeu uma denúncia anônima dando conta de que teria ocorrido um homicídio na travessa Zenita Ramos. Chegando ao local, os PMs constataram que Alcides Vicente Pessanha estava morto com um corte profundo no pescoço, na sala, no interior da casa. A Perícia Civil recolheu da residência, roupas do neto da vítima, que estavam molhadas no banheiro, uma toalha de banho e uma faca de serra, de 25 cm, que teria sido usada no crime. Depois de negar, o jovem teria confessado crime. E na noite da última quarta-feira, Luzia Lopes Helena, de 61 anos, foi atingida por vários tiros no quintal da sua residência na rua Cidade de Lima, Parque Santa Rosa, por volta das 21h30, e não resistiu aos ferimentos.

De acordo com o subcomandante do 8º Batalhão de Polícia Militar (BPM), major Fábio Campos, o órgão “colocou na rua” diversas operações para coibir o crescimento da violência em Campos. Segundo ele, na última semana, viaturas fixas e móveis da PM estiveram presentes no Parque Eldorado, em Guarus e na localidade de Conselheiro Josino, realizando revistas e operações de rotina, para apreender drogas, armas e veículos não legalizados.

— Na última sexta-feira (da semana retrasada), trabalhamos com o expediente invertido, das 17h às 1h, onde o efetivo esteve distribuído nos bairros que apresentam incidências de violência na cidade. Nos crimes que vêm acontecendo nos últimos dias, estamos contando com a ajuda da população através do dique-denúncia (2723-1177), e a parceria com a Polícia Civil proporciona que os criminosos sejam presos ou estejam à disposição da Justiça o mais breve possível — relatou Campos.

O comandante da Guarda Civil Municipal, major Francisco Melo, destacou que 820 homens entre guardas e auxiliares de vigilância atuam na prevenção de jovens e adolescentes, levando palestras em escolas, além de proteger os cidadãos em eventos públicos. “Claro que também, diante de um ato de violência, a Guarda não se omite e leva o caso para a Polícia Civil ou Militar”, disse.

Delegados falam sobre os casos resolvidos

O delegado titular da 134ª DP (Centro), Geraldo Rangel, destacou que a Polícia Civil está dando a resposta para a população de Campos, prendendo o mais rápido possível os autores dos crimes. “Estamos ouvindo diversas testemunhas para chegarmos aos assassinos. Tenho certeza de que todos estão observando isso e conto com o apoio da população, caso saiba de algo, que compareça à delegacia e nos ajude a desvendar os crimes”, disse.

Já o delegado titular da 146ª DP (Guarus), Carlos Augusto da Silva, relatou que os crimes estão sendo desvendados e que os policiais civis estão trabalhando para que os criminosos sejam identificados, localizados e presos. “Estamos atentos e o depoimento de testemunhas tem nos ajudado a elucidar os casos”, pontuou o delegado.

A delegada titular da 145ª DP (São João da Barra), Madeleine Farias, informou que dos 11 homicídios ocorridos na cidade de 1º Janeiro até o final de fevereiro deste ano, nove estão solucionados e os suspeitos de autoria e participação encontram-se presos, à disposição da Justiça, ou foragidos. E que, com relação às investigações que ainda não foram concluídas, a Polícia Civil já tem pistas da autoria e trabalha para, em breve, também localizar e prender os responsáveis. “Estamos investigando os casos, e pretendemos solucioná-los o mais breve possível. Conto com a ajuda da população no disque-denúncia da delegacia (2741 – 1373)”, disse a delegada.

OAB afirma que tinha alertado autoridades

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em Campos, Carlos Fernando Monteiro, o Guru, lembrou que o órgão já tinha alertado, sem resposta, aos órgãos de segurança quanto ao crescimento da criminalidade em Campos. Nesta terça-feira, dia 25, às19h, acontece na Faculdade Cândido Mendes, um Fórum sobre a violência e criminalidade na cidade, com a presença de diversos segmentos ligados à segurança em Campos e região. “Vamos discutir o tema para chegarmos numa solução que amenize a situação, que está intolerável. Espero contar também, com o apoio da população”, destacou o presidente.

Já o vice-presidente da Câmara de Vereadores de Campos, o vereador Jorge Magal, destacou que vai solicitar nesta terça-feira, em sessão ordinária, uma Audiência Pública para discutir a criminalidade na região, com a presença de órgãos ligados à segurança da cidade, região e Estado, assim como deputados estaduais e federais. “Nesta semana, num projeto intitulado Bonde da Alegria, do poder executivo, uma aluna do Colégio José do Patrocínio, na Penha, nos relatou que não pode brincar na praça do bairro, por medo da violência do local. Não podemos deixar que essa situação prossiga. Vamos debater com as autoridades para que isso seja resolvido o mais rápido possível”, disse o edil. 

Multiplicidade de causas e a criminalidade

A coordenadora do Núcleo de Estudos da Exclusão e da Violência, a professora de História Lana Laje, disse que as políticas públicas devem estar voltadas para a multiplicidade de causas que geram a criminalidade. Segundo ela, somente policiais nas ruas não resolve o problema, já que há coincidências de crimes e motivos variáveis. “Temos casos que envolvam homofobia, agressão a mulheres e tráfico de drogas. É preciso que os policiais estejam preparados para enfrentar cada caso, sem que isso interfira na integridade da população com o órgão”, relatou.

Outros - No último dia 17 de março, uma menina de apenas 13 anos foi vítima de bala perdida, ao ser atingida no braço, na rua Professora Ruth Ribeiro do Rosário, no Parque Eldorado, em Guarus. Já na Terra Prometida, o caso mais grave registrado de bala perdida aconteceu no dia 29 de janeiro deste ano, quando a pequena Marrie Stéfany Rosa dos Santos, de apenas 11 anos, que foi atingida por disparos efetuados por homens que chegaram disparando tiros para todos os lados, por volta de 21h30 na rua Santo Antônio, acabou morrendo no Hospital Ferreira Machado (HFM). No dia seguinte, ainda revoltados com o ocorrido, moradores do bairro fizeram uma manifestação pedindo justiça e mais segurança na comunidade. À tarde, o delegado titular da 146ª DP, Carlos Augusto Guimarães, informou que oito suspeitos teriam participado da ação. Dias depois, vários deles acabaram presos.

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